"As portas da perçepção foram abertas, tudo passa a ser como realmente é: infinito". O efêmero passa a ser intenso, mais intenso do que nunca. A vida é vista no seu sentido pleno, nada se esvai a ela. Não há mais fim nem começo, a mentira confunde-se com a verdade, no fundo sempre foi o mesmo. E...O portal da mente é aberto...

sábado, 10 de abril de 2010

Lua tão distante


Olho para o céu e a contemplo

Lua, tão bela e distante
Aparece, e se vai

Por que não ficas Lua
E completa com tua beleza
Este louco sonhador?

Completa esse coração amargurado
Essa solidão que parece infinita
De um tolo, que um dia
Espera poder tocar-te

Coitado seja este tolo
Ele não possui asas para ir ao teu encontro
Só sentimentos que o peito ameaçam rasgar

Sentimentos...
Poderão eles um dia
Transforma-se em asas
Para que um tolo apaixonado possa voar?

sexta-feira, 9 de abril de 2010

VEJA o que quero que veja 2

Em um post anterior (VEJA o que quero que veja) critiquei a revista Veja, por ser uma revista tendenciosa e defensora da elite brasileira.
Alguns meses se passaram, e pude perceber de perto a forma arbitraria de se fazer jornalismo (se é que assim podemos chamar o que é feito) da Veja.
Na edição desta semana (revista do dia 04/04/2010), foi publicada a matéria: "Pecados pouco originais"*, uma critica a expansão das universidades federais publicas no Brasil. Na reportagem, Roberta de Abreu Lima, contesta a localização destas universidades, por estarem em locais "distantes de sua clientela potencial". Além de julgar como ruim, com dados equivocados, a qualidade de ensino das instituições.
No texto são citadas algumas universidades federais criadas recentemente, inclusive a UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) da qual sou aluno do 1º semestre de Comunicação. Ao analisar a instituição, a autora se restringiu a apenas um campus, o de Cruz das Almas, e julgou que a cidade não tinha “densidade educacional para abastecer de alunos uma universidade” Portanto fotografou uma sala praticamente vazia para justificar a suposta “ociosidade de vagas”
Esqueceu-se ela (ou melhor, ignorou) que Cruz das Almas não é o único campus da UFRB. São 4 campus em cidades diferentes do recôncavo (Amargosa, Cachoeira, Cruz das Almas e Santo Antonio de Jesus), demonstrando total falta de informação, ou interesse em tê-las. Como aluno da universidade, eu e tantos outros sabemos que não há ociosidade de vagas.
Fato é que a Veja, como boa parte da mídia brasileira, atende aos interesses de nossas elites, afinal o empresariado é quem manda nos meios de comunicação de massa. Portanto não se torna interessante a multiplicação do ensino superior publico, que por muito tempo foi restrito a uma certa "clientela potencial" (como diria minha cara Roberta Lima),pois apesar de receber o pomposo titulo de universidade publica, excluía (e ainda exclui) parcela considerável da sociedade.
A monopolização da informação é uma das diversas formas que a elite usa para alienar as camadas sociais mais carentes, restringir a educação significa a não formação de seres capazes de contestar sua situação social.

*Reportagem "Pecados pouco originais":
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/4/4/novas-universidades-federais-velhos-problemas
Replica da UFRB:
http://www.ufrb.edu.br/portal/index.php/administracao/ufrb-recebe-manifestacoes-de-apoio-contra-as-distorcoes-da-revista-veja



quarta-feira, 31 de março de 2010

"O teatro dos vampiros"





Outro dia assistia a TV câmara e senado e fiquei a observar as discussões entre os senadores e os deputados sobre assuntos que dizem respeito a todos nós, cidadãos brasileiros, (lembrando que é muito importante assistirmos essas discussões, pois estes que estão no plenário representam o pouco da nossa suposta democracia e devem ser cobrados e monitorados por todos nós, não apenas em anos políticos, por motivos óbvios). Bem voltando a minha linha de pensamento, olhava os embates políticos, e a "encenação" de nossos vampiros. Algo me chamou atenção, eles parecem encenar uma peça de Shakespeare, seus discursos parecem poesias, alguns chegam a fazer você acreditar no que dizem. O que mais me impressiona são as brigas(?), eles se "agridem cortesmente" como diria Tom Zé, tem uma etiqueta, e um rebuscamento de palavras que até parecem amigos (e realmente são, mesmo que hipocritamente, passado a delicada e Cortez tempestade há o aperto de mão).
Não existiria termo melhor para designar tal fato senão o titulo de uma das musicas de Legião Urbana, "O teatro dos vampiros" ( a musica original é sobre a TV, no fundo não tem muita diferença). Claro, a regra não é geral, eu sou daquele tipo que ainda acredita que exista bons políticos (não vale perguntar se eu também acredito em Papai Noel, e Saci Pererê e outros seres miticos), apesar das arrudas por aí afora. Mas acreditar que ainda existem boas pessoas no mundo, não só políticos, é nossa ultima esperança em tempos de crises. As vezes nós temos uma visão determinista das coisas, como se o status quo não pudesse ser mudado. Nós temos o poder, e todo mundo já está cansado de saber disso, mas muitos preferem sentar numa poltrona esperar.
"Não pode haver uma revolução em grande-escala, se antes não houver a revolução individual da pessoa. Primeiro tem que acontecer cá dentro." - Jim Morrison

sexta-feira, 26 de março de 2010

Renato Russo, um ídolo atemporal



Hoje se estivesse vivo, Renato Russo, líder de uma das maiores bandas do rock nacional, completaria 50 anos. Em um post anterior, na data do aniversário de morte do "filho da revolução", fiz um breve resumo da minha opinião sobre este gênio da nossa musica (http://jpopinioes.blogspot.com/2009/10/nao-foi-tempo-perdido.html). Porém não poderia deixar passar em branco uma data tão importante como essa , há 50 anos o mundo era presenteado com o nascimento deste grande cantor e compositor.
Viveu em meio a uma época em que falar o que se pensava era privilegio, uma geração acostumada a receber os "enlatados dos U.S.A de nove às seis", a qual denominou sugestivamente de coca-cola.
Viver uma época de repressão fez aflorecer todo um senso de político presente em musicas como "Veraneio Vascaína" (ainda na época de sua primeira banda o Aborto Elétrico), "Que país é este?" e outras. Renato, em suas letras não só falava de política, sabia falar de amor e de seus conflitos como poucos. Quem não se emociona ao ouvir musicas como "Vento no litoral"?!
Essa versatilidade, e essa capacidade de entender, sobretudo o jovem, quando ninguém parecia se preocupar com o "futuro do país", fez do líder da Legião Urbana uma das personalidades mais adoradas da nossa musica. Alguns o adoravam como um deus, e a cada dia surge mais fãs, como eu, que nem chegaram a vivenciar este momento.
Fica então a minha homenagem a um dos meus grandes ídolos, que nunca vai deixar de ser atual,e de ser lembrado por toda sua obra, e importância no cenário da musica brasileira.

"Urbana Legio Omnia Vincit".

domingo, 21 de março de 2010

"Futuro..."

Realmente não sei
De certo vejo incertezas
Um fim talvez?
Talvez um começo?
São mundos que deixo para trás
Mundos que vejo a minha frente
Fragmentos de uma vida
Momentos inesquecíveis
Ah... Lágrimas necessárias
São de dor?
Uma mistura de louvor
Muitos ficam para trás
Outros tanto vêm à frente
E o que será de nossas vidas?

segunda-feira, 8 de março de 2010

A luz se apaga


Da minha mão você se esvai

Como água ou areia
Foi vagaroso o súbito

Quantos jardins ficaram por nascer
Sob a luz da lua
A terra se tornou infértil
E as flores são dores

As estrelas se esconderam
E o sol se nega a voltar
Pois sabe que não verá a luz
Não haverá a luz do luar

Sobram-me perguntas retóricas
Que não possuem respostas
Falta-me a luz que se apagou
E o que me resta são sobras
Sombras de você

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Som livre?





A industria fonográfica vem sofrendo grandes mudanças nos últimos anos, há quem diga que ela está passando por uma grande crise, gerada sobretudo pela Internet. Fato é, que a forma de consumir musica, além de outros bens culturais, atualmente é bem diferente de tempos atrás, devido ao surgimento de novas tecnologias.
Antes da popularização da
internet, a comunicação em si, não era tão fácil como atualmente, e a produção de musica seguia uma certa trilha refém dos monopolios das grandes gravadoras. Os artistas passavam por uma "odisseia" para poder produzir sua musica. Hoje, com a grande rede, encurtaram-se os caminhos, e o cenário da musica independente cresce cada vez mais, entretanto, as gravadoras negam-se a se adaptar ao novo mercado.
A empresa fonográfica culpa a
internet pelas quedas no faturamento, acusando-a de propagação da pirataria, porém o que acontece é totalmente o contrario, a possibilidade de trocar arquivos virtualmente evita a comercialização ilícita destes, além do que essa troca acontece desde do tempo das fitas. A internet apenas inovou essa relação já existente.
A pressão dos empresários da musica está repercutindo no senado, e o senador Eduardo
Azeredo criou um projeto de lei que criminaliza os usuários da internet que trocam arquivos, se aprovado, esse projeto vai por um fim num dos grandes benefícios da internet, que é a democracia para se consumir cultura. A industria hegemoniza e privilegia certas classes ao vender CD´s, livros, por preços que não fazem parte da realidade da maioria dos brasileiro.
Os artistas que estão surgindo em meio a esse fervor
informacional, e até mesmo os mais antigos, vêem na internet uma alternativa para se "alforriar" do status quo da industria cultural. Bandas internacionais como Arctic Monkeys fizeram fama graças a internet. Outro exemplo de banda que inovou na forma de vender musica foi a banda inglesa Radiohead, que utilizou o download remunerado para vender o seus discos. O fã decide quanto pagar para ter a musica do seu artista.
No Brasil este é um cenário que cresce cada dia mais, e uma das principais bandas que encabeçam o movimento da musica livre é O Teatro Magico*, um
projeto que consegue se auto-sustentar, mesmo disponibilizando todas suas musicas para download gratuito já conseguiram vender mais de 180 mil CD´s, que são vendidos a preços acessíveis para a população. Fernando Anitelli, vocalista do Teatro Magico, é o principal ativista e idealizador do movimento MPB (Musicas Para Baixar).
Está mais do que claro que é necessário uma mudança no jeito de se vender musica, no entanto infelizmente as grandes gravadoras preferem continuar no velho padrão musical ultrapassado, explorando muitas vezes o artista e o consumidor. E enquanto permanecer dessa forma vão continuar a perder espaço para os
internautas que eles consideram piratas, apenas por quererem som livre.






* O teatro magico disponibiliza todas sua musicas para download no site da banda www.oteatromagico.mus.br
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