"As portas da perçepção foram abertas, tudo passa a ser como realmente é: infinito". O efêmero passa a ser intenso, mais intenso do que nunca. A vida é vista no seu sentido pleno, nada se esvai a ela. Não há mais fim nem começo, a mentira confunde-se com a verdade, no fundo sempre foi o mesmo. E...O portal da mente é aberto...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Mais uma ano...

Bem não pretendia postar nada relativo a essas festas de fim de ano, como não postei sobre o Natal, devido a questões ideológicas por assim dizer. Mas achei digno(expressão que comecei a usar esse ano rs) postar alguma coisa sobre esse 2010 que se vai. 


Foi um ano que passou rápido( acho que quando se passa dos 18 você tem sempre essa impressão, de que os anos não são mais duradouros como outrora) mas que trouxe uma série de novidades, boas, ruins e simplesmente "novidades" sem uma visão maniqueista disso. Vida longe dos pais, contatos com novas coisas, novas pessoas, novas experiências... Um novo mundo, uma nova vida ( quando falo dela me refiro em plenitude, a virtual e real, no fundo são as mesmas...). Então por que não esperar ainda mais para esse ano que chega? Por mais que tudo a nossa volta nos faça duvidar disso...

2011 bate a porta, e isso me faz lembrar um texto de Mario Quintana que recebi de uma ex professora e grande amiga. 

ANO NOVO
Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:
- Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
- Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo )
Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:
- O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA …


Que encontremos essa menininha de olhos verdes, e que não esqueçamos dela, pois num mundo tão adverso é ela que nos move...
Que venha 2011, 2012 (opa esse aí é um caso a parte rs).


Bons ventos para nós em 2011


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Simulacro

Das profundezas sãs da mente
Fica mais fácil quando ela funciona
Bloqueando o mundo sem "alucinações"
Confundindo realmente o que é real
Das falsas entranhas que me comovem
Do falsos esboços, que não passam disso
E tudo que quero, achei encontrar
Como deixar a armadura se abrir
Deixar verem o blindado onde um frágil
Patético se esconde
Sem nem ao menos perceber

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Morrer e Viver

Morrer e Viver
É gostoso esse prazer
Saber esconder
É mais fácil não sofrer
Calar o mundo e deleitar-se
Das suas sombras respondendo
Hipóteses e ao vaga-lumes


Viver e morrer
Sempre aonde ir, em busca do seu
Próprio inferno para aquecer a
Alma que se enojou do céu
Anjos são bestas encurraladas e
Demônios seres belos e com asas


Morrer, para suprir a bolha vazia
No quintal de incertezas que são
Podadas para não sufocar a dona
Morte


Viver, para escandalizar os egípcios
E privatizar Sodoma e Gomora
Se ridicularizando até as vespes
Nas do dilúvio de fogo 


 Autor: Anderson Moraes

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Amuleto

As folhas caíam no parque daquela pequena cidade. Era inicio de outono e um tom melancólico tomava conta de todas as partes. As nuvens escondiam o sol, apesar de nenhuma gota de água ameaçar cair. Ele caminhava pelo parque, gostava disso, de estar só e caminhar sem ter um destino certo, apesar de que, quase sempre parava no mesmo lugar, o parque. Nesta ocasião, ao observar o doce balé das folhas jogadas ao vento, ficou fascinado com o harmonioso evento natural, provavelmente por que se sentia como estas folhas secas. Sem cor, jogadas ao véu da existência. Em meio a tudo isso sua mente girava, não sabia bem ao certo o porquê. Lembrou que não comia nada desde o desjejum, e isto fazia já algum tempo, só não sabia quanto.

Nunca havia sentido esta sensação, sua vista estava ficando turva, e foi sendo acometida por uma escuridão cada vez mais intensa, já não conseguia enxergar mais nada. Lutava para permanecer em pé, até que chegou o momento em que não mais resistiu e se entregou, o desmaio foi inevitável...

Tempos depois desperta, sua cabeça doía insuportavelmente. Não sabia quanto tempo havia estado ali desmaiado. À medida que foi recobrando a consciência percebeu que ainda estava no parque, porém havia algo de diferente.  Flores despontavam nas arvores e o que antes extravasava melancolia ganhava uma vida e luz incomum. Uma diversidade de cores tomou conta daquele parque, antes sombrio.

Em meio a toda aquela aquarela, algo que parecia vim dos arbustos do parque o atraía, como se fosse uma força magnética e sobre-humana. Não entendia o que estava acontecendo, a tontura já havia passado, apesar de uma leve dor de cabeça ainda persistir a incomodá-lo. Neste momento por entre as arvores ele vê uma sombra, não estava só como imaginava.
- Quem está aí?- A pergunta era inevitável.
Nitidamente a sombra se apresentava como sendo a silhueta de uma pessoa, apesar de não ser possível da distancia em que se encontrava distinguir-lhe o rosto. A única coisa que conseguia ver eram partes das roupas, que eram demasiadas coloridas como o ambiente ao redor.  

Ao se aproximar a figura estranha passou a fugir, e ele o perseguiu, queria saber quem o observava. Durante não mais que alguns minutos de perseguição chegaram às margens do lago, e a figura de roupas berrantes estava a sua margens.

Não podia acreditar no que via, ou melhor, em quem via. A figura que perseguia, era ele mesmo, perseguia a si próprio, ou há uma figura idêntica a ele.
- Mas como isto podia estar acontecendo? Como uma simples caminhada havia findado em tal fato?- Eram algumas das coisas que se perguntava em meio a um turbilhão de pensamentos desorganizados e confusos.

Aquela pessoa, vestida com vestes que nunca imaginou antes usar, era ele, não entendia como, mas se via com aquelas roupas. Portava uma espécie de pingente em forma de sol, ou mandada, não conseguia ver bem o que estava pendurado no pescoço de sua “cópia”. Era aquilo que o atraía por entre os arbustos, antes. Dalí vinha à força magnética que ele seguiu. Aquele amuleto que nunca havia visto antes emanava uma energia que o deixava “nu” por dentro. Toda a sua alma se abria, todos os seus “eus”, medos, monstros, arrependimentos, tudo que o fazia sentir. As pessoas que amava começavam a aparecer, ele se via por dentro, naquela outra pessoa, que na verdade era si mesmo.

Sua mente começava a girar novamente, tinha medo de estar ficando louco, não compreendia o que estava acontecendo. Parecia mergulhar naquela espécie de amuleto, que tanto dele o traduzia. Uma nova confusão de luzes aconteceu, a luz ao seu redor diminua e o tom melancólico do parque retornava. Pensou está despertando de um sonho, mas agora uma dicotomia tomava conta de tudo ao seu redor, o ambiente colorido e parecido com a primavera ainda permanecia lá, mas dividia espaço e se confundia com um clima sombrio e nefasto. Não conseguia distinguir o que acontecia ao seu redor, era uma confusão de cores que criava um ambiente plural, a única coisa que conseguia tomar a sua atenção em meio a tudo aquilo era o amuleto pendurado no cordão de seu outro eu, que a esta altura já havia desaparecido em meio a tudo aquilo. As coisas voltaram a escurecer novamente...

Despertou do desmaio, estava mais uma vez no mesmo lugar que havia caído da primeira vez. Estranhamente ao acordar tudo estava como da primeira vez, as folhas ainda caíam, não havia mais cores nem tão pouco flores, era outono novamente. Suspirou de alivio, tudo aquilo não havia passado de um longo e sombrio sonho.

Levantou-se, e decidiu retornar para a casa, fazia muito tempo que havia saído. Foi quando percebeu que algo balançava em seu pescoço, ao olhar não acreditou no que acabava de ver. Era ele, o amuleto de seu “sonho”.  

sábado, 25 de setembro de 2010

O Teatro Mágico

Bom, tenho certeza que ao ler o titulo, alguns poucos seguidores e colegas que ainda lêem meus textos podem provavelmente pensar “demora um tempão para postar algo e quando posta lá vem ele falar daquela banda de novo, e de toda aquela ladainha de musica livre”.
            Poderia sim vim falar mais uma vez desta trupe que vem causando uma revolução na musica brasileira com um estilo único e que tem encantado e conquistado diversos fãs em todo o país. Entretanto neste texto pretendo discutir e esclarecer a idéia original do “Teatro Mágico”. Ao contrario do que alguns podem pensar esta “idéia” existe muito antes da banda, é um “conceito” (Se conseguirem ler até o fim este texto, vocês vão ver que vai muito além disso) presente no livro de Herman Hess “O Lobo da Estepe” e é o pano de fundo para Fernando Anitelli e sua trupe.

Um breve resumo da obra


 Após concisa caracterização do protagonista (Harry Haller) no prefacio, a historia do livro de fato começa com as "Anotações de Harry Haller, só para loucos",.
          Harry é um cinqüentão que não vê sentido nenhum em sua vida, ele portanto se intitula um "lobo da estepe", pois se encontra sempre a margem das outras pessoas, e vive uma situação critica, planejando até o dia do suicídio. Passa seus dias a ler livros, fumar e beber.
Certa vez quando ia a um bar, encontra um letreiro num muro antigo, em que se encontra a escritura, "O teatro mágico. Entrada só para raros". No asfalto lê "Só para loucos". Mais tarde quando retornava do bar encontra um sujeito, que lhe dá um panfleto, "O tratado do Lobo da Estepe", que descrevia todo intimo da principal personagem, Harry Haller, após a leitura do tratado, a situação de Harry só piora, e quando está decidido a abrir a "saída de emergência” (suicídio), encontra Hermínia,  a partir daí então a vida de Harry muda totalmente, mais tarde conhece outras personagens fundamentais para a historia, Pablo e Maria que junto com Hermínia o faz conhecer o “Teatro mágico”...




O Teatro Mágico

            Creio que aqueles que suportaram o texto até aqui devem estar se perguntando: o que fez Harry Haller mudar de pensamento, e finalmente encontrar um sentido em sua vida? O que é que havia de tão especial neste tal de teatro mágico?
          O Teatro Mágico caro leitores, é um mergulho dentro do ser, do seu próprio ser. Ao se conhecer Harry Haller descobre que não possuía apenas uma personalidade dupla (o lobo e o homem como imaginava), e sim diversas. É o conhecimento sobre si mesmo, a compreensão de que somos uma constante metamorfose, e que não precisamos ser definidos (isso me lembra o “quem sou?” dos sites de relacionamentos). Cada qual tem seu “Teatro Mágico”, todos temos fantasmas, palhaços, monstros e heróis. Entender-nos e compreender a variedade do que somos nos faz perceber melhor a vida sob todas as suas faces. Adentrar no “Teatro Mágico” é descobri que cada um de nós é raro, e que carregamos personagens únicos, magníficos e especiais.


Desperte O Teatro Mágico que há em você
           

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ignorante por Opção

      Anuncio aqui a minha condição de ignorante por opção, renuncio de tudo que sei de toda forma de consciência, não quero mais ver ou ouvir o obvio, coloco na frente de vós, leitores, uma venda nos meus olhos e mente para não enxergar e entender tudo que está a minha volta.

            Não quero mais acreditar que tudo isso aqui é fruto de uma grande explosão, a grande explosão ainda está por vir. Quero acreditar que nós migramos do Jardim do Éden e que todo nosso sofrimento é  culpa única e exclusivamente daquele fruto proibido, e não podemos fazer mais nada para mudar isso.
            Acreditar que um benévolo navegante descobriu nossas terras, e que se não fosse por ele e por sua nação heróica estaríamos pulando de galho em galho ainda. Acreditar que a exploração brutal e genocída do índio e negro foram conseqüências de uma evolução necessária.
            Acreditar que tudo isso ficou no passado, e que o negro e o que restou dos índios hoje são tratados sem diferença, sem preconceito. Que a aparência pouco importa quando se procura um trabalho, e que todos podem ter acesso a um trabalho decente, com um salário mínimo que não é ínfimo.
            Quero acreditar que as nações unidas vivem harmoniosamente sem guerras, que bombas atômicas são coisas do passado, e que nada disso tem a ver com petróleo.        
            Acreditar que tudo que vejo na TV é verdade, e condiz com a realidade sem nenhuma manipulação e com muita transparência. Que os filmes de Hollywood não nos fazem de idiota, que a vida repete a ficção e que quando tudo estiver perdido não faltarão heróis que salvarão o mundo para haver um final feliz.
            Quero acreditar que os políticos estão falando a verdade, e que o dinheiro público, é publico, e não banca a farra de nossos representantes. E que a educação de qualidade é para todos e não só para uma pequena minoria, que todos tem oportunidades de viver e não apenas sobreviver.
            Quero acreditar que nesse mundo não falta amor, e que todos respeitam uns aos outros como a si mesmos.
           Quero acreditar que não existe Utopia.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Demasiado Racional



            Certa vez parei... pensei...e pensei...E me perguntei o por que  desta insistência de nós humanos em  pensar, em deixar de lado o que temos de natural e espontâneo.
            Vivemos uma racionalização excessiva de tudo a nossa volta, fenômeno que não ocorre apenas no mundo ocidental como propôs Max Weber a alguns séculos. Hoje tudo segue preceitos que não de fato “humanos”. Sentimentos estão cada vez mais em baixa na bolsa de valores chamada vida, são vendidos a cifrões.
            O homem teve a arrogância de se posicionar acima de outros animais por ter a faculdade de pensar, e hoje sofre as conseqüências de ser tão racional. Precisamos ser mais “humanos”, “ser essência muito mais”, afinal deixamos diversas vezes de viver e ser felizes por sermos demasiadamente racionais.
            Estamos nos tornando reféns do tempo, perdemos o controle sobre ele. Vêem-se cada vez mais pessoas com o que chamam de depressão, mas como diz Patch Adams, não passa de solidão e falta de amor.
            A internet toma conta de nossas vidas e esquecemos o corpo a corpo, as inter-relações são cada vez mais virtuais. As coisas passam, e o homem mais do que nunca perdeu o controle sobre seu próprio rumo, se ver discutir de economia, de política, mas não se fala da vida, não apenas nossas vidas, mas a vida que nos cerca e que com a insaciável sede de poder destruímos mais e mais.
            A vida não deve ser regida apenas pela razão, afinal ela é previsível, por que viveríamos se estivéssemos fardados a ser o quadrado da hipotenusa. Temos que ser cinco mesmo sendo resultado de dois mais dois, isso é o que nos faz mais humanos e menos maquinas.
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