"As portas da perçepção foram abertas, tudo passa a ser como realmente é: infinito". O efêmero passa a ser intenso, mais intenso do que nunca. A vida é vista no seu sentido pleno, nada se esvai a ela. Não há mais fim nem começo, a mentira confunde-se com a verdade, no fundo sempre foi o mesmo. E...O portal da mente é aberto...
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Enfermidade
E o desejo se faz ser dentro de ti.
E o suor escorre pelas mãos cada vez que a vê.
Seu corpo fica quente quase em febre.
A pulsação acelera, palavras se ofuscam.
Uma disritmia cardíaca faz o coração pular a boca.
-Mas o que está acontecendo.
Estou doente?
-Estás enfermo sim meu caro amigo.
-Mas que enfermidade é esta que me acometeu tão de repente?
-Esta enfermidade meu amigo, chama-se paixão.
-Não pode ser, mas...mas qual a cura para isto?
-Não existe cura, há apenas o suave deleite.
-Blasfemas de mim?
-Oh claro que não, não penses isto de mim. Afinal o “pior” ainda está por vir, será quando seu quadro se agravar e evoluir para amor...
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Conversas e despedidas
- São muitos os muros que nos separam, nossa relação é impossível.
- Vamos tentar você me faz tão bem, sou apaixonado por você.
- Você me cobra algo que não sinto. O melhor é você me esquecer.
- Eu não vou te esquecer, gosto muito de ti, não quero te perder.
- É melhor, não quero te fazer sangrar.
- Que tolice!!- exclamou já exasperado- Você não vai me fazer sangrar
Ela de cabeça baixa permanecia calada
- Fala comigo, por que está agindo dessa forma?
- Não há muito que falar...
- Não entendo, estava tudo tão bem.
Ela permaneceu calada, e ele vendo a frieza em seu olhar dolorosamente desistiu da conversa. Aproximou-se, vagarosamente levantou o rosto dela, e sentiu o gosto de seus lábios pela ultima vez. Percebeu que o gosto não era mais o mesmo de outrora, seu mundo agora não era mais o mesmo de outrora.
Ele saiu deixando-a lá. Caminhou por um bom tempo, quando teve a certeza de que ninguém mais o via, chorou. E suas lagrimas misturavam-se as do céu, que como que adivinhando seu pensamento, também começavam a cair.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Armadura
Entre lanças e espadas
Deixei-me desarmar
Minha armadura foi quebrada
Lanças me fizeram sangrar
Atingiram meu calcanhar
Meu coração a penetrar
A morte foi prazerosa
Tão bela e suave...
Mas uma força me faz voltar
Tão bela e suave...
Mas uma força me faz voltar
Há muitos dragões a se derrotar
Varias aldeias a salvar
Muito sangue a derramar
Ponho de volta a armadura
Meu escudo e minha espada
Meu cavalo está selado
Pronto para a batalha
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Mais uma ano...
Bem não pretendia postar nada relativo a essas festas de fim de ano, como não postei sobre o Natal, devido a questões ideológicas por assim dizer. Mas achei digno(expressão que comecei a usar esse ano rs) postar alguma coisa sobre esse 2010 que se vai.
Foi um ano que passou rápido( acho que quando se passa dos 18 você tem sempre essa impressão, de que os anos não são mais duradouros como outrora) mas que trouxe uma série de novidades, boas, ruins e simplesmente "novidades" sem uma visão maniqueista disso. Vida longe dos pais, contatos com novas coisas, novas pessoas, novas experiências... Um novo mundo, uma nova vida ( quando falo dela me refiro em plenitude, a virtual e real, no fundo são as mesmas...). Então por que não esperar ainda mais para esse ano que chega? Por mais que tudo a nossa volta nos faça duvidar disso...
2011 bate a porta, e isso me faz lembrar um texto de Mario Quintana que recebi de uma ex professora e grande amiga.
ANO NOVO
Mário Quintana
Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:
- Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
- Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo )
Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:
- O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA …
Que encontremos essa menininha de olhos verdes, e que não esqueçamos dela, pois num mundo tão adverso é ela que nos move...
Bons ventos para nós em 2011
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Simulacro
Das profundezas sãs da mente
Fica mais fácil quando ela funciona
Bloqueando o mundo sem "alucinações"
Confundindo realmente o que é real
Das falsas entranhas que me comovem
Do falsos esboços, que não passam disso
E tudo que quero, achei encontrar
Como deixar a armadura se abrir
Deixar verem o blindado onde um frágil
Patético se esconde
Sem nem ao menos perceber
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Morrer e Viver
Morrer e Viver
É gostoso esse prazer
Saber esconder
É mais fácil não sofrer
Calar o mundo e deleitar-se
Das suas sombras respondendo
Hipóteses e ao vaga-lumes
Viver e morrer
Sempre aonde ir, em busca do seu
Próprio inferno para aquecer a
Alma que se enojou do céu
Anjos são bestas encurraladas e
Demônios seres belos e com asas
Morrer, para suprir a bolha vazia
No quintal de incertezas que são
Podadas para não sufocar a dona
Morte
Viver, para escandalizar os egípcios
E privatizar Sodoma e Gomora
Se ridicularizando até as vespes
Nas do dilúvio de fogo
Autor: Anderson Moraes
É gostoso esse prazer
Saber esconder
É mais fácil não sofrer
Calar o mundo e deleitar-se
Das suas sombras respondendo
Hipóteses e ao vaga-lumes
Viver e morrer
Sempre aonde ir, em busca do seu
Próprio inferno para aquecer a
Alma que se enojou do céu
Anjos são bestas encurraladas e
Demônios seres belos e com asas
Morrer, para suprir a bolha vazia
No quintal de incertezas que são
Podadas para não sufocar a dona
Morte
Viver, para escandalizar os egípcios
E privatizar Sodoma e Gomora
Se ridicularizando até as vespes
Nas do dilúvio de fogo
Autor: Anderson Moraes
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Amuleto
As folhas caíam no parque daquela pequena cidade. Era inicio de outono e um tom melancólico tomava conta de todas as partes. As nuvens escondiam o sol, apesar de nenhuma gota de água ameaçar cair. Ele caminhava pelo parque, gostava disso, de estar só e caminhar sem ter um destino certo, apesar de que, quase sempre parava no mesmo lugar, o parque. Nesta ocasião, ao observar o doce balé das folhas jogadas ao vento, ficou fascinado com o harmonioso evento natural, provavelmente por que se sentia como estas folhas secas. Sem cor, jogadas ao véu da existência. Em meio a tudo isso sua mente girava, não sabia bem ao certo o porquê. Lembrou que não comia nada desde o desjejum, e isto fazia já algum tempo, só não sabia quanto.
Nunca havia sentido esta sensação, sua vista estava ficando turva, e foi sendo acometida por uma escuridão cada vez mais intensa, já não conseguia enxergar mais nada. Lutava para permanecer em pé, até que chegou o momento em que não mais resistiu e se entregou, o desmaio foi inevitável...
Tempos depois desperta, sua cabeça doía insuportavelmente. Não sabia quanto tempo havia estado ali desmaiado. À medida que foi recobrando a consciência percebeu que ainda estava no parque, porém havia algo de diferente. Flores despontavam nas arvores e o que antes extravasava melancolia ganhava uma vida e luz incomum. Uma diversidade de cores tomou conta daquele parque, antes sombrio.
Em meio a toda aquela aquarela, algo que parecia vim dos arbustos do parque o atraía, como se fosse uma força magnética e sobre-humana. Não entendia o que estava acontecendo, a tontura já havia passado, apesar de uma leve dor de cabeça ainda persistir a incomodá-lo. Neste momento por entre as arvores ele vê uma sombra, não estava só como imaginava.
- Quem está aí?- A pergunta era inevitável.
Nitidamente a sombra se apresentava como sendo a silhueta de uma pessoa, apesar de não ser possível da distancia em que se encontrava distinguir-lhe o rosto. A única coisa que conseguia ver eram partes das roupas, que eram demasiadas coloridas como o ambiente ao redor.
Ao se aproximar a figura estranha passou a fugir, e ele o perseguiu, queria saber quem o observava. Durante não mais que alguns minutos de perseguição chegaram às margens do lago, e a figura de roupas berrantes estava a sua margens.
Não podia acreditar no que via, ou melhor, em quem via. A figura que perseguia, era ele mesmo, perseguia a si próprio, ou há uma figura idêntica a ele.
- Mas como isto podia estar acontecendo? Como uma simples caminhada havia findado em tal fato?- Eram algumas das coisas que se perguntava em meio a um turbilhão de pensamentos desorganizados e confusos.
Aquela pessoa, vestida com vestes que nunca imaginou antes usar, era ele, não entendia como, mas se via com aquelas roupas. Portava uma espécie de pingente em forma de sol, ou mandada, não conseguia ver bem o que estava pendurado no pescoço de sua “cópia”. Era aquilo que o atraía por entre os arbustos, antes. Dalí vinha à força magnética que ele seguiu. Aquele amuleto que nunca havia visto antes emanava uma energia que o deixava “nu” por dentro. Toda a sua alma se abria, todos os seus “eus”, medos, monstros, arrependimentos, tudo que o fazia sentir. As pessoas que amava começavam a aparecer, ele se via por dentro, naquela outra pessoa, que na verdade era si mesmo.
Sua mente começava a girar novamente, tinha medo de estar ficando louco, não compreendia o que estava acontecendo. Parecia mergulhar naquela espécie de amuleto, que tanto dele o traduzia. Uma nova confusão de luzes aconteceu, a luz ao seu redor diminua e o tom melancólico do parque retornava. Pensou está despertando de um sonho, mas agora uma dicotomia tomava conta de tudo ao seu redor, o ambiente colorido e parecido com a primavera ainda permanecia lá, mas dividia espaço e se confundia com um clima sombrio e nefasto. Não conseguia distinguir o que acontecia ao seu redor, era uma confusão de cores que criava um ambiente plural, a única coisa que conseguia tomar a sua atenção em meio a tudo aquilo era o amuleto pendurado no cordão de seu outro eu, que a esta altura já havia desaparecido em meio a tudo aquilo. As coisas voltaram a escurecer novamente...
Despertou do desmaio, estava mais uma vez no mesmo lugar que havia caído da primeira vez. Estranhamente ao acordar tudo estava como da primeira vez, as folhas ainda caíam, não havia mais cores nem tão pouco flores, era outono novamente. Suspirou de alivio, tudo aquilo não havia passado de um longo e sombrio sonho.
Levantou-se, e decidiu retornar para a casa, fazia muito tempo que havia saído. Foi quando percebeu que algo balançava em seu pescoço, ao olhar não acreditou no que acabava de ver. Era ele, o amuleto de seu “sonho”.
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