"As portas da perçepção foram abertas, tudo passa a ser como realmente é: infinito". O efêmero passa a ser intenso, mais intenso do que nunca. A vida é vista no seu sentido pleno, nada se esvai a ela. Não há mais fim nem começo, a mentira confunde-se com a verdade, no fundo sempre foi o mesmo. E...O portal da mente é aberto...

quinta-feira, 4 de julho de 2013

"Desvarios de noites eternas"

Beijou-a, entregando-se ao desejo que ameaçava o peito rasgar. Estavam às escondidas, sabia que aquilo não era o certo a se fazer. Era um daqueles amores proibidos que havia lido num desses livros de época. Germinava nos becos escuros e hotéis baratos.

De pensar que a principio ele queria apenas aquele belo e sedutor corpo em sua cama, para um sexo casual e de muito desejo.

Conheceram-se na fila do banheiro de um barzinho, quando ele esbarrou de propósito nela. Estavam bêbados os dois. Poucas palavras, um sorriso de canto de boca, e ela saiu deixando-o no gosto do querer.
Poderia ter sido ela noutra vida uma dessas senhoritas casada com um coronel, e ele um escravo recém-liberto que perambulava entre botecos na parte pobre da cidade.

Sempre que se viam trocavam olhares. Olhar é a porta da alma, já diria algum filósofo qualquer, destes que ninguém sabe se realmente existiu, ou se era um bêbado que falava demasiadamente sobre suas mágoas.

As almas deles se queriam, por isso se entreolhavam tão forte e tão intensamente. Ela sabia dos perigos, tentava resistir, mas não conseguia. Sim, aquele desejo era mais forte do que ela. Durante toda a vida lera romances, chegou um dia a acreditar neles e na descrição daquelas paixões épicas, mas o caminhar de sua vida mostrara o contrário.

Agora estava ali refém daquele negro com cara de malandro insinuante, e que lhe inspirava desejos profanos.

Séculos atrás, caso fosse aquela dama, casada com o coronel de um pequeno arraial, talvez fosse mais difícil o que se sucedeu, mas a atração era tamanha que mais do que certamente aconteceria como aconteceu.

O preto só queria aquela dama em seu pequeno quarto no cortiço não muito convidativo em que vivia. Era apenas sexo que aquela adorável branca lhe inspirava. Duvidava seriamente que fosse se envolver como se envolveu.

Depois de muita insistência, e vários “nãos”, ele passou a conhecer aquela que mexia (agora percebia isso) muito mais do que com a sua libido.

Fazia pulsar sangue naquele coração que gelou após tanto apanhar, não de chicotes no tronco, mas dos amores de sua vida.

Estavam ali agora, naquele quarto de hotel barato se entregando a estes desejos. Era uma mistura de atração sexual, libido viva, com o mais profundo e vivo amor. Sim era este sentimento que emanava daqueles beijos “brutos”, fortes e intensos.

Eram duas enxurradas de sentimentos, dois corações se desejando, que quando se encontravam emitiam faíscas. O tempo era pouco para tanto desejo, talvez por isso parecesse parar, e conspirar a favor daqueles dois.

Ele beijava intensamente aquele corpo branco e arrepiado, percorrendo cada poro daquela formosa dama. Ela revirava os olhos, e esquecia todos os obstáculos daquele amor proibido.

Os cabelos vermelhos molhados de suor grudavam em seu rosto e nas suas costas, enquanto ele a beijava e acariciava seus seios, com as grandes mãos negras. Alternava entre a boca, os peitos, e todo o corpo daquela linda senhorita. Queria-a muito...tinha-a ali em seus braços.

Com sua boca encontrava não só os lábios da boca dela, fazia-a gemer e se entregar aquele corpo negro, que contrastava com o branco da pele dela. Era uma dança, ela se revirava, e ele a possuía fortemente.

Ele experimentava cada centímetro daquele corpo, e ela o respondia. A cada arrepio. Por vezes tomava o controle daquela dança sensual, e ela percorria com toda vontade que jorrava de dentro de si. Beijos e mordidas naquele corpo negro que tanto lhe inspirou desejo, a ponto de estar ali absorta naquele momento.

Dançavam uníssonos, naquela cama. Misturavam todo o desejo que transbordava violentamente daqueles corpos, com aquele sentimento que fazia o coração pulsar tão rápido, que os pés tremiam e saíam do chão. Eram cinza, de tanto que estavam juntos e dentro um do outro. Eram música, entre gemidos, beijos e o barulho da cama vagabunda que balançava por causa dos parafusos frouxos. Eram yin yang. Calmaria e caos...amor e sexo.

A dança, cada vez mais rápida, mais intensa, caminhava para o clímax...sussurrando no ouvido dela, enquanto o resto do corpo ia relaxando aos poucos.

-Você é o meu atestado de loucura - disse o preto entregando-se ao gozo em conjunto e relaxando junto a ela, donde descansavam num corpo só.     







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